Dois dos autores, Raquel Oliveira e Orlando Leite, aceitaram o nosso convite para responderem a algumas perguntas. Ela, mais comedida e séria, ele mais provocador e brincalhão.
Apresentação da Vida Louca

Como surgiu a ideia de escreverem este livro?
R: A ideia partiu da Sónia Trigueirão, que quis uma obra colectiva precisamente para trazer ao de cima visões diferentes. Cada um de nós, por via da sua sensibilidade, esteve atento a questões diferentes. Eu, por exemplo, como jornalista de economia, estava muito sensível às questões financeiras.
O: A ideia partiu da Marcador, penso eu. No meu caso, fui contactado pela Sónia para integrar a equipe que escreveu o livro. Talvez porque desde sempre escrevi com um certo sentido de humor, secundário efeito da minha longa permanência no Independente.
Apenas num fim-de-semana, este título entrou para o Top dos "100 + vendidos" e mantém-se há praticamente três meses no Top 10 dos livros mais vendidos em Portugal. Estavam à espera deste sucesso?
R:
Não. Foi uma surpresa total.
O: Não. Tenho a perfeita noção de que "esta" História de Portugal era bem apelativa à leitura mas francamente estava a léguas de imaginar este interesse desmesurado pelo livro. Nunca pretendemos ser historiadores, apenas escrever as outras histórias da História.
Acham que este interesse à volta do livro se deve ao facto de (afinal) os portugueses se interessarem por História ou antes por não resistirem a "boas e escaldantes revelações alheias"?
R: Pelas duas razões: e o livro tem ambas!
O: Opto muito mais pela segunda alternativa. O português é "suave", não gosta muito de ler. Somos dos povos que menos lê, ouve música ou se interessa pelas artes em geral, mas, se lhe der-mos algo sensacionalista, bem condimentado, não há nenhum ser lusitano que resista.
Qual foi o facto, história ou episódio que mais o surpreendeu?
R: Os episódios relacionados com a recusa dos primeiros reis pagarem ao Papa. Mas atenção, não eram dívidas porque nos tinham emprestado dinheiro, mas sim "pagamentos" pelos serviços papais.
O: A moda "cabeleireira" de D. João V. Muito historiador elogiou o seu risco ao meio, chamou-lhe inovador, para a época, mas poucos, como nós, revelaram que o penteado se devia ao “pediculus”, também conhecido como piolho.
Depois desta intensa pesquisa, que rei ou rainha gostaria de ver de novo a governar o nosso País?
O: Todos menos a Carlota Joaquina (risos). Mais a sério. D. Carlos. Como é possível que uma cambada de republicanos medíocres assassinem um dos homens mais cultos do mundo do seu tempo? Como se tem provado desde 1910, com a República, instalou-se, neste canto à beira mar desamparado, a mediocridade. Para não falar em 50 anos de obscuridade.
Numa palavra apenas, como descreveria este livro?
R: Surpreendente.
O: Podem ser duas? Historicamente divertido.
Por fim, aponte três boas razões para se comprar este livro.
R:
Porque é fácil de ler. Porque nos dá uma visão diferente. Porque nos faz querer ler mais sobre a História de Portugal.
O: Porque revela casos históricos omitidos; porque é de leitura fácil, apesar de todos os factos relatos serem reais; e por fim: porque preciso de comprar um carro novo (risos).